Vida corrida, trânsito, trabalho, casa, estudos... assim são os dias dos torcedores que tentam acompanhar o clube do coração. Raramente tem tempo disponível para assistir os jogos com tranqüilidade na televisão, ir ao campo menos ainda, se contentam no máximo em ouvir as transmissões no rádio ou na internet, e quando muito apenas ficam sabendo o placar por meio de um amigo.
Tenho tentado acompanhar os fatos futebolísticos, porém, percebi que as notícias estão circulando na velocidade da luz. Um exemplo disso é o alto índice de rotatividade na comissão técnica do Cruzeiro. Em um curto período de tempo saiu Cuca, entrou Joel, saiu Joel, entrou Émerson... Quando se fala em mudanças a primeira coisa que nos vem à cabeça é que vai haver melhorias, novas contratações, novo esquema tático, enfim. Infelizmente está acontecendo o contrário no Cruzeiro, as melhorias não ocorrem, as contratações acontecem uma ali, outra acolá, mas sem grandes mudanças significativas. Quando vencemos uma partida é com um placar magro e ultimamente só temos nos contentado com derrotas.
O que não pode acontecer é nos acostumarmos com a situação que estamos vivendo e deixar que isso vire rotina. Como a torcida cruzeirense é bem exigente, o que me preocupa é se um dia os torcedores grandes guerreiros das arquibancadas, com a vida agitada que levam, se desanime se desmotive, deixe de torcer e de exigir uma melhor postura do Clube. Em alguns momentos temos que admitir, bate um certo desespero, vontade de virar apenas um torcedor formal, aquele que diz que torce mas na realidade nem acompanha o time. São tantos os problemas e as lutas que enfrentamos no dia a dia, que torcer pode ser mais um problema, principalmente se o clube não corresponde às expectativas da torcida.
Como um bom guerreiro, não podemos desistir. É preciso acreditar, mesmo que as mudanças não ocorram agora, sabemos que em breve algo novo virá. Há um ditado muito conhecido que diz “em time que está ganhando não se mexe”, mas e em time que ta perdendo se mexe? Um mandato, por exemplo, está prestes a acabar a qualquer momento e um novo surgir. Uma dinastia não dura para sempre, o tempo passa muito rápido e todos precisamos nos renovar.
Como cada dia é um novo dia, cada jogo um novo jogo, a corrida continua, a luta continua. Se o fracasso vem, vamos crescer, reaprender e enfrentar mais uma batalha, pois o objetivo (vencer) está bem à frente. Enquanto podemos exigir, estaremos prontos na frente de batalha correndo contra o tempo, nessa vida louca que nunca pára. Então simbora, vamos torcer guerreiros pelo nosso Cruzeiro!
Oie,
ResponderExcluiro problema em ser guerreiro é que nem sempre sabemos as verdadeiras razões pelas quais lutamos. Quando você diz "... Em alguns momentos temos que admitir, bate um certo desespero, vontade de virar apenas um torcedor formal, aquele que diz que torce mas na realidade nem acompanha o time." Neste mundo do futebol, nós simples "peões" da batalha, não temos a verdadeira idéia do que se passa nos bastidores. Somos manipulados em função de nossa paixão e por isso ficamos meio que entorpecidos, além de míopes. E nesta visão destorcida dos fatos, vamos sofrendo e nos angustiando. Entretanto, os verdadeiros responsáveis pela "guerra" simplesmente comandam, manipulam seus "peões" e estão protegidos de qualquer ameaça, porque para eles o que importa é se manterem no poder. Sempre foi assim, é assim hoje e sempre será. Sempre haverá comandantes e comandados, e sendo desta forma, fiz a opção de não mais aceitar à este comando. Infelizmente o Cruzeiro para mim hoje é uma bela lembrança, vivi muitos bons momentos, grandes amizades, muitas felicidades, mas mesmo assim o preço ainda é muito baixo. Minha vida, dignidade, família, saúde e dinheiro, só para elencar algumas preciosidades, me são muito mais caras. Continuarei tendo, o resto da minha vida, sangue azul, porém, sem deixar subir para a "cabeça". As intermináveis discussões e defesas da entidade Cruzeiro, não modificaram nem mais nem menos o meu dia-a-dia. Continuava sendo uma simples peça, mais um "guerreiro" no meio deste cenário de poder, injustiça, manipulação, ganância, egoísmo, mentira e inveja.
Jamais serei lembrado, nem mesmo por quando fazia a diferença na Charanga, com o surdão na mão, puxando 50 mil pessoas. Grandes ídolos que jogaram no passado, estão no ostracismo, o que dirá um simples anônimo das arquibancadas. Nem precisa vir com este papinho de que a união faz a força. Isso é balela, não há força capaz de mover a podridão que cerca o mundo do futebol. Não será com o grito das arquibancadas, pipoca no aeroporto, mudança de diretoria, eleições e sabe lá o que mais pode-se fazer; sempre estará lá o lado negro da força.
Talvez esta esteja sendo a primeira vez que debato, comento e exponho um pouco mais da minha decepção. Não quero jamais influenciar ninguém, principalmente as novas gerações. Meus comentários apenas são uma justificativa (talvez para mim mesmo) da tristeza e desgosto de minha experiência. Acho que tudo foi muito válido, principalmente pelas amizades que conquistei, mas basta. Hoje afirmo sem medo de errar, que vivo muito melhor sem as arquibancadas.